9. TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE 29.8.12

1. OLHO BINICO
2. SER ESSE O NOSSO FIM?
3.  PROVA DE SECA

1. OLHO BINICO

Com sensvel melhora na qualidade das imagens, pesquisadores de universidade americana desenvolvem chip que cura a cegueira em ratos
Juliana Tiraboschi 

MECANISMO DECIFRADO - Chip quebra o cdigo da viso e envia imagens para o crebro
 
Os fs da srie Jornada nas Estrelas certamente se lembram do visor, culos especiais que devolviam o sentido da viso ao personagem cego Geordi La Forge.  o sonho de muitos pesquisadores criar um equipamento parecido com esse. Entre os sonhadores est Sheila Nirenberg, da Universidade de Cornell, EUA. Ela conseguiu dar um passo adiante na busca pela cura da cegueira causada por degeneraes da retina. Em artigo publicado na revista cientfica Proceedings of the National Academy of Sciences na semana passada, a pesquisadora mostra como desenvolveu um implante de retina que tem o potencial de ser mais eficiente que os existentes no mercado. Por enquanto, a novidade s foi testada em ratos e ainda pode levar alguns anos para ser experimentada em humanos.
 
Calcula-se que entre 20 a 25 milhes de pessoas no mundo esto cegas ou correndo o risco de perder a viso por causa de doenas degenerativas da retina. Esse tipo de problema  caracterizado principalmente pela morte das clulas fotorreceptoras dessa parte do olho, os cones e bastonetes, responsveis por captar a luz e transmitir sinais a outras clulas, que enviam essas informaes ao crebro. Sem a captao de luz, o crebro no consegue formar imagens. E, sem isso, a pessoa fica cega (leia quadro). Alguns tipos de degenerao da retina podem ser tratados com medicamentos. Mas, quando o tratamento no funciona, a nica opo para recuperar parte da viso so implantes.
 
Os olhos binicos disponveis hoje no mercado (por enquanto, usados em laboratrios pelo mundo, inclusive no Brasil, e liberados comercialmente apenas na Europa) permitem que um paciente cego volte a ver alguns pontos de luz e perceba contrastes. Para quem perdeu totalmente a viso,  um avano. Mas esses implantes no permitem que o paciente consiga identificar um rosto, por exemplo.
 
O estudo da Universidade de Cornell produziu duas melhorias importantes. Uma foi criar um microchip capaz de quebrar o cdigo da viso, ou seja, interpretar caractersticas da luz que entra na retina e transformar essas informaes em pulsos eltricos que sero lidos pelo crebro. Esse codificador  formado por um conjunto de equaes matemticas que produzem padres de pulsos semelhantes aos normais, diz Sheila.
 
A outra novidade  o uso da optogentica, rea da cincia que combina ptica e gentica e utiliza a luz para controlar aes de clulas. O que os pesquisadores da Cornell fizeram foi inserir uma protena sensvel  luz dentro da retina. Ou seja, ela faz o mesmo papel das clulas fotorreceptoras que foram destrudas. O uso da optogentica  indito em implantes de retina e um grande avano nesse tipo de pesquisa, refora o oftalmologista Rubens Camargo Siqueira, pesquisador da USP de Ribeiro Preto, que estuda o uso de clulas-tronco para tratar degeneraes da retina.
 
Essas duas caractersticas permitiram a gerao de imagens muito mais ntidas do que as formadas pelos implantes anteriores. Essa  a primeira prtese que tem o potencial de fornecer uma viso muito melhorada, porque incorpora esse cdigo, diz Sheila. Ainda pode demorar muitos anos para que os culos de Jornada nas Estrelas se tornem uma realidade, mas no custa se inspirar na fico cientfica para sonhar com cegos que voltam a enxergar.


2. SER ESSE O NOSSO FIM?

Astrnomos flagram raro momento em que um planeta  devorado por sua estrela, destino reservado para a Terra daqui a cinco bilhes de anos
Edson Franco 

EFMERO - Um fugaz rastro de ltio  a evidncia que restou do finado planeta
 
Os maias erraram feio. Caso a descoberta de um grupo de astrnomos publicada nesta semana se aplicar  Terra, o mundo vai acabar sim, mas s daqui a 5 bilhes de anos. E o apocalipse ser bem quente. A partir de observaes feitas com o telescpio Hobby Eberly, instalado no Texas, cientistas americanos, poloneses e espanhis encontraram evidncias do primeiro planeta que teria sido devorado por sua estrela.
 
Batizada de BD 48 740, a faminta estrela tem um raio 11 vezes maior que o do nosso Sol e faz parte da categoria de astros chamada de gigantes vermelhas. Quando se aproximam do fim, essas estrelas vo crescendo e absorvendo tudo o que estiver por perto. Foi o que aconteceu com o planeta engolido, que no partiu sem deixar sua marca. Os astrnomos notaram um incomum acmulo de ltio na superfcie da BD 48 740.  um material raro, criado principalmente durante o Big Bang (h 14 bilhes de anos) e que  rapidamente destrudo em estrelas antigas. E foi isso o que os astrnomos diagnosticaram: o breve momento em que o finado planeta deixou um rastro de ltio atrs de si.

Algo semelhante ir acontecer no nosso sistema solar? Sim, quando Mercrio e Vnus forem devorados pelo Sol, iro alterar a composio da estrela e produzir um efmero excesso de ltio, disse  ISTO Alexander Wolszczan, da Pennsylvania State University, nos EUA, coautor do estudo. Segundo ele, esse  um caminho inevitvel e sem volta no nosso caso. O Sol deve se tornar uma gigante vermelha em cerca de cinco bilhes de anos. Mas o nosso prazo de validade  bem menor. Nossa estrela vai se tornar quente demais para a vida como a conhecemos em um bilho de anos, diz o pesquisador. Esse  o tempo que temos para descobrir uma nova casa e desenvolver formas de chegar at ela.


3.  PROVA DE SECA

Para combater a pior estiagem no Meio-Oeste americano, pesquisadores desenvolvem plantas resistentes ao calor e criam tecnologia que pode beneficiar o Serto brasileiro
Larissa Veloso

 FALTA D'GUA - Milharal destrudo pela seca nos Estados Unidos, de onde vm as pesquisas para salvar a lavoura
 
A seca que atinge o Meio-Oeste dos Estados Unidos j  considerada a pior em mais de 50 anos. A elevao da temperatura e a decorrente queda na lavoura motivaram o presidente americano, Barack Obama, a anunciar na segunda-feira 13 a liberao de US$ 170 milhes para ajudar fazendeiros. Apesar das dificuldades, a quebra na safra pode render bons frutos. O receio de enfrentar mais perdas na produo d novo flego para as pesquisas cientficas que desenvolvem mudas mais resistentes ao calor. Um dos estudos mais inovadores vem da Universidade de Washington. L os cientistas analisam uma espcie de parceria entre trs seres vivos que pode salvar a lavoura americana. Foi descoberto que os fungos que vivem nas razes de uma gramnea e so contaminados por um vrus especfico acabam conferindo ao vegetal a capacidade de tolerar altas temperaturas.
 
O sistema no funciona sem que todos os trs componentes estejam presentes. Ainda estamos tentando identificar os mecanismos de tolerncia ao calor e  seca, observando o funcionamento da planta e de seus genes. Mas esse fungo atua da mesma maneira em vegetais diferentes, disse  ISTO o autor do projeto, professor Russell Rodriguez. Os benefcios podem ser observados at 24 horas depois de a espcie ser contaminada pelo fungo. Foi o que aconteceu em testes feitos com trigo, que passou a tolerar at 70C.
 
A possibilidade de adaptao a vrios vegetais gera a esperana de que o experimento funcione em terras brasileiras e seja parte de uma soluo para os problemas das vastas regies semiridas do Pas. Enquanto esse dia no chega, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria  vinculada ao Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento) tambm busca um meio de criar plantas mais resistentes ao calor. Um dos projetos usa a tecnologia de manipulao gentica (leia quadro). Os resultados so bastante promissores. At o fim de 2013, esperamos ter melhorias j nas variedades usadas pelos fazendeiros. Se tudo der certo, podemos disponibilizar as novas espcies no mercado em 2017, explica Eduardo Romano, doutor em biologia molecular e pesquisador da Embrapa.
 
Mas no  s o aumento da rea de plantio que est na mira dos pesquisadores. Hoje, 70% da gua doce do mundo  usada na agricultura. Com o nmero de pessoas no planeta aumentando, precisamos pensar em produzir mais alimentos sem esgotar esse recurso, aponta Romano. Os cientistas estudam formas de matar a nossa fome sem que a gente morra de sede.
